segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Instante


Quando vi-te ao chegar tão distraído,

os teus olhos clareei de mil venturas,

aos teus gestos eu dirigi-lhes canduras

num tonante a vagar por definido.



Quando em ti o meu sol embevecido,

incandescente fervia em brandura,

eu vi-te a alimentar a ternura

deste palmo de ilusão desconhecido.


Mas como tudo o que vem tende a partir …

E se partir precisavas tão depressa,

restou-me a triste solidão de te seguir.


Nos teus passos que alongavam-se adiante …

Por um instante infinito de promessa

de te amar para sempre a cada instante.

Rosy Foseca/ Todos os direitos reservados


domingo, 11 de novembro de 2012

Cativa-me



Cativa-me para você ...
De passo a passo,
de fato a fato,
cativa-me.
De bagagem, sem pressa.
De arvoredo, sem cortes.
Com posse, com toques,
cativa-me.
Para o apego que é seu.
Para o auge que é meu.
Na dor e na festa,
em cor e em vela.
O pranto, a flor, você,
cativa-me.
Para que eu seja só sua,
na mesma hora em que
a minha alma transborda,
cativa-me.
Em direções tão fartas.
Com sonhos , voltas e cantos,
cativa-me.
E assim pouco a pouco,
dentro de mim outra voz.
Seus pensamentos nos meus,
cativa-me.
Numa estrada sem marcas.
Em direções tão fartas.
E com mais firmeza...
Cativa-me .
Rosy Fonseca/ 1977 todos os direitos reservados




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Verso


Estância deste meu ser
tão lerdo e meio disperso,
sem ao menos refalecer
... ele é verso.
 

Essência do meu discorrer,
pegadas de pouco universo,
poço de mágoa a se crer
dentro de um mar submerso 
 

Razão de meu simples tanger
de naufrágio, servo perverso,
quis-se de mim refazer
em um desconsolo inverso. 
 

Fuga crua deste meu ser
enaltecido de um verso,
que busca o cansaço sofrer
para chegar de regresso. 

Rosy Fonseca/ 1979

Todos os direitos reservados





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um Lugar e Você


Deve haver um lugar
onde eu me perca no ar,
que possa até delirar
e o meu passado ficar .

Restar para não renascer,
para nunca mais eu temer
o tempo que passei a sofrer
e fiz o meu peito morrer.

Quero agora um deserto.
Um canto , pouco discreto.
Somente um sol aberto
e ver você bem de perto.

Você que jamais conheci,
ou então mal percebi,
ensina-me de novo a sorrir
que por vivência, esqueci.

Rosy Fonseca/ 1978
Todos os direitos reservados




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Barragem de Paixão

Este murmúrio de água correndo,
este enlace de folhas jogadas,
esta primavera que me sufoca de paixão.
Uma aragem que em teus cabelos dorme selvagemente,
que me semeia a vontade de ser tua.
A fixidez de teu rosto me tranca desprevenida.
Tua intimidade me condensa, me supera, me seduz.
Esta aflição que me recorta, que me fulmina de amor.
Só porque a devassidão de um mergulho profundo entre nós
age sem preconceito.
E sem desavença concentra o balanço que une indeterminadamente as pálpebras resguardadas.
É a chama que incandesce.
É o impulso que embelece a viagem de um súbito desejo.
É a barragem que desabrocha em represa espontânea.
É a clave de um eco que cintila um soneto.

Rosy Fonseca/ 1977
Todos os direitos reservados


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Súplica


Vejo-o tácito, vejo-o baixo.
Vejo-o estéril meu sol desolado,
desencantado em teus brilhos
e fenecido em teus raios. 
 

És o vazio do meu nada,
meu desfalecer de aventura.
Carente, és oco inditoso
Que cerra-se dentro de mim. 
 

Distanciado de tudo,
arrebatado só no desterro,
em fúnebre dor de clemência
cravada seca em meu dorso.
 

Sol, ó sol que te escassa?
Que te apaga que te mata?
Sou eu, meu rosto desfeito?
Meu chão em pautas cadentes?
 

Ó sol, que mal eu te fiz?
Qual dos horrores maiores cumpri?
Morres desintegrando o meu ser
Para na tua morte eu morrer.
 

Rosy Fonseca/ 1979

Todos os direitos reservados
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Meu Pedido

Contemplar-te, há vagas no ar…
Ambiciono-te para mim.
Beijar-te haverá um ensejo...

Haverá perfeição na barra de uma enseada,
uma afeição de ardente brilhar na maré que flutua folhada.
Caminhando indefesa, a leveza de uma
inocência que tranborda entre poemas os dias e horas.
Pérolas verdadeiras que cobrirão de magia os lírios de um castelo desaparecido.
O som da flauta de uma harmonia agreste que tocará docemente
os laços de meu pedido...
Abraçar-te.
Colher os pingos de uma chuva que em cristais confiará meu futuro.
Te acordo ,te quero.
Se te amo, te espero.

Rosy Fonseca/ 1997 todos os direitos reservados