quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Novos Sonhos


Quero do mar o murmúrio
dentro de mim a cantar.
E em meus olhos a cor
de um meigo sol a brilhar.
 

Correr pela areia molhada
e cair por ela rolando.
Deixar no caminho suspiros
de novos sonhos voando.
 

Livres assim como eu
serei daqui em diante.
Sorrir e chorar para um dia
amar a partir de um instante. 
 

De um momento eterno
feito de um só alguém
que venha comigo sonhar
e saiba me amar também…
 

Rosy Fonseca/ 1978 todos os direitos reservados
 
 

 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Instante


Quando vi-te ao chegar tão distraído,

os teus olhos clareei de mil venturas,

aos teus gestos eu dirigi-lhes canduras

num tonante a vagar por definido.



Quando em ti o meu sol embevecido,

incandescente fervia em brandura,

eu vi-te a alimentar a ternura

deste palmo de ilusão desconhecido.


Mas como tudo o que vem tende a partir …

E se partir precisavas tão depressa,

restou-me a triste solidão de te seguir.


Nos teus passos que alongavam-se adiante …

Por um instante infinito de promessa

de te amar para sempre a cada instante.

Rosy Foseca/ Todos os direitos reservados


domingo, 11 de novembro de 2012

Cativa-me



Cativa-me para você ...
De passo a passo,
de fato a fato,
cativa-me.
De bagagem, sem pressa.
De arvoredo, sem cortes.
Com posse, com toques,
cativa-me.
Para o apego que é seu.
Para o auge que é meu.
Na dor e na festa,
em cor e em vela.
O pranto, a flor, você,
cativa-me.
Para que eu seja só sua,
na mesma hora em que
a minha alma transborda,
cativa-me.
Em direções tão fartas.
Com sonhos , voltas e cantos,
cativa-me.
E assim pouco a pouco,
dentro de mim outra voz.
Seus pensamentos nos meus,
cativa-me.
Numa estrada sem marcas.
Em direções tão fartas.
E com mais firmeza...
Cativa-me .
Rosy Fonseca/ 1977 todos os direitos reservados




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Verso


Estância deste meu ser
tão lerdo e meio disperso,
sem ao menos refalecer
... ele é verso.
 

Essência do meu discorrer,
pegadas de pouco universo,
poço de mágoa a se crer
dentro de um mar submerso 
 

Razão de meu simples tanger
de naufrágio, servo perverso,
quis-se de mim refazer
em um desconsolo inverso. 
 

Fuga crua deste meu ser
enaltecido de um verso,
que busca o cansaço sofrer
para chegar de regresso. 

Rosy Fonseca/ 1979

Todos os direitos reservados





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um Lugar e Você


Deve haver um lugar
onde eu me perca no ar,
que possa até delirar
e o meu passado ficar .

Restar para não renascer,
para nunca mais eu temer
o tempo que passei a sofrer
e fiz o meu peito morrer.

Quero agora um deserto.
Um canto , pouco discreto.
Somente um sol aberto
e ver você bem de perto.

Você que jamais conheci,
ou então mal percebi,
ensina-me de novo a sorrir
que por vivência, esqueci.

Rosy Fonseca/ 1978
Todos os direitos reservados




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Barragem de Paixão

Este murmúrio de água correndo,
este enlace de folhas jogadas,
esta primavera que me sufoca de paixão.
Uma aragem que em teus cabelos dorme selvagemente,
que me semeia a vontade de ser tua.
A fixidez de teu rosto me tranca desprevenida.
Tua intimidade me condensa, me supera, me seduz.
Esta aflição que me recorta, que me fulmina de amor.
Só porque a devassidão de um mergulho profundo entre nós
age sem preconceito.
E sem desavença concentra o balanço que une indeterminadamente as pálpebras resguardadas.
É a chama que incandesce.
É o impulso que embelece a viagem de um súbito desejo.
É a barragem que desabrocha em represa espontânea.
É a clave de um eco que cintila um soneto.

Rosy Fonseca/ 1977
Todos os direitos reservados


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Súplica


Vejo-o tácito, vejo-o baixo.
Vejo-o estéril meu sol desolado,
desencantado em teus brilhos
e fenecido em teus raios. 
 

És o vazio do meu nada,
meu desfalecer de aventura.
Carente, és oco inditoso
Que cerra-se dentro de mim. 
 

Distanciado de tudo,
arrebatado só no desterro,
em fúnebre dor de clemência
cravada seca em meu dorso.
 

Sol, ó sol que te escassa?
Que te apaga que te mata?
Sou eu, meu rosto desfeito?
Meu chão em pautas cadentes?
 

Ó sol, que mal eu te fiz?
Qual dos horrores maiores cumpri?
Morres desintegrando o meu ser
Para na tua morte eu morrer.
 

Rosy Fonseca/ 1979

Todos os direitos reservados
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Meu Pedido

Contemplar-te, há vagas no ar…
Ambiciono-te para mim.
Beijar-te haverá um ensejo...

Haverá perfeição na barra de uma enseada,
uma afeição de ardente brilhar na maré que flutua folhada.
Caminhando indefesa, a leveza de uma
inocência que tranborda entre poemas os dias e horas.
Pérolas verdadeiras que cobrirão de magia os lírios de um castelo desaparecido.
O som da flauta de uma harmonia agreste que tocará docemente
os laços de meu pedido...
Abraçar-te.
Colher os pingos de uma chuva que em cristais confiará meu futuro.
Te acordo ,te quero.
Se te amo, te espero.

Rosy Fonseca/ 1997 todos os direitos reservados


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sonho Real

Sonhei. Creio que o fiz como prova
destes instantes sem desterro,
destas horas sem pesadelo.
Sei que sonhei o que tenho agora. 

Vagava eu num passeio vaporoso
dentro dos meus sonhos com magnificência.
Gotejando tuas frases com veemência,
que havias me dito tão ardoroso. 

Saltitante era meu coração ajustado
pelas tuas constantes afirmações.
Belas, sinceras, como ternas canções
que ouvíamos a cada minuto calados. 

E eu te via despertando comigo...
Afagavas meu corpo com forte ganância...
Tudo isto eu sonhei com tanta sustância,
que tornou-se real minha vida contigo. 

Rosy Fonseca/1978 todos direitos reservados

terça-feira, 17 de julho de 2012

Percurso

Sozinha num canto qualquer,
os dias passam por mim.
Não sei se uma lágrima diria
aquilo que está dentro de mim.

São manhãs que me fazem lembrar
lindas recordações e chorar.
São tardes que me fazem sentir
tudo, quando não posso sorrir.

São noites que me fazem olhar
para esse mundo e tentar
dizer o quanto quero acordar,
enfim, completamente te amar.

Rosy Fonseca/ 1975 todos os direitos reservados


Garra

Não me deixe solta,
não me perca a graça
que rodopia brincando
na terra encorajada.

Alcança-me do teu modo,
haja falha, haja medo.
Aponta-me tua força,
me derruba com dengos.

Confirma a tua esperança.
Corra no teu vigor.
Para percorreres mais tarde
as linhas sobre meu ventre.

Remonta sobre ti mesmo e
busca após teu cansaço
minha vigia, meu calor,
para te dormir em meu colo.

Apaga as tuas derrotas,
aquela raiva louca e surda
de nunca ter conseguido
as vigas de meu contato.

Não justifica teus atos,
bem sei como e porque.
Não desfaça teu peito,
pois te cobrirei de paixão.

Tu beberás do meu cálice
meus gestos brandos e lentos
sobre teu rosto ansioso.
Te encantarei para sempre.

Rosy Fonseca/ 1977 todos direitos reservados


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aqui...

Nasce a cada minuto incessante
a palpitação de meu sentimento apurado
mergulhado numa sensação delirante.
Engrandece a satisfação dos teus beijos,
aumente a procura de teu corpo,
extravasa parte de meus mais fortes desejos.

Meus dias, sonhos e vontades,
a coragem de meus passos e margens.
A confiança próspera e a confirmação,
a porta do prazer começa a se abrir.

Quando em ti vejo um sorriso verdadeiro
e em meu peito tu és a coberta.
Nossas mãos são como vigas unidas
que nos isolam completamente do mundo.

Aqui...

Onde tudo é tão modesto e deserto.
Parece um encanto num horizonte distante
que não se percebe, mas eu o vejo de perto.
Pois em meu colo tu dormes sabendo
que é nele que tens o calor preciso,
que sou teu amor, tua mulher, te envolvendo.

Rosy Fonseca/ 1978 todos direitos reservados


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Encontrar-te

Ando pelas ruas meio que perdida
pela multidão de olhares insólitos .
Rostos jogados sem identidade .
E eu procurando algo , desiludida ...

Percorro em giros quase entediada
a cada manhã um caminho diferente.
Por todas as partes entro em desespero.
E eu procurando alguém , desencantada ...

Mais um dia , a noite me atropela .
Passo correndo, ouço vozes em gritos.
Percebo os gestos fixados no nada .
E eu procurando algo , mas não se revela...

Chego à casa em minutos entristecida.
Abro a janela e já não vejo ninguém .
Fecho meus olhos chorando o desprezo.
E eu procurando alguém , toda a minha vida...

Resolvo deitar-me e não mais pensar.
Amanhã em seguida tudo se repetirá .
Durmo a dor deste sonho incessante
que a qualquer hora , eu vou te encontrar...

ROSY FONSECA - 5/07/2012 todos direitos reservados


terça-feira, 3 de julho de 2012

Angustiada Dor

Tão cedo, e já é hora de partires novamente.
Custa-me fixar os olhos fundos, molhados,
na sombra que vais largando pela rua
e que agarra-se sólida a cada passo teu.

Mais uma vez, aquela mesma sensação amarga.
É como se meu ser estivesse se resumindo
e fosse, portanto, aos poucos, se decompondo
para só ressurgir quando aqui voltares.

A solidão chega e paralisa meus movimentos.
O desespero sufocante emudece a minha voz.
Sinto-me possuída por uma tristeza aflita,
perco o poder de assumir minha vida.

E sem perceber, é hora de partires novamente...
Nem preciso dizer-te o quanto padecerei com isso.
Basta que olhes para meu rosto reclinado
e vejas nele a dura dor desta despedida.
Rosy Fonseca/1978 todos direitos reservados


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tendências

Tendências

Ele veio entre o vento e o luar...
As estrelas ecoavam mil brilhos no céu e a singela canção dos pássaros repercutia a cada minuto.
E da mesma maneira ele se foi...
Por instantes, segui meu entusiasmo que levou-me para bem longe.
Mas me perdi em uma multidão de olhares , e nunca mais o encontrei.
Hoje, olho as folhas que caem lentamente embaladas pelo ar.
Sinto uma infinidade de desejos e tendências que se misturam com angústia, medo e desespero.
Julgam-me um ser insolúvel, uma alma abstrata.
E assim tenho vivido...
Sem ambições, sem anseios, 
sem paixões, sem destino.

Rosy Fonseca (todos os direitos reservados) 1977



sábado, 9 de junho de 2012

A Volta

A Volta

Não me perca mais nesta fonte
Não desperdices de gotas o meu ser.
Pois haverás de ter-me a tecer
toda a candura em que banha teu horizonte.

E por mais que o tempo remonte,
só de uma página me faço ocorrer:
o teu sorriso em um dia a dizer
que sou feito flor, a cada pétala que se conte.

Mas pelo mar que agora me invade,
e é pelo céu que me mata a saudade,
que volto aqui, enfim pra te amar.

Mesmo que não sorrias mais a tal flor,
Ou ainda as suas pétalas, ao seu calor;
só estou aqui pelo que eu quero te dar.

Rosy Fonseca/ 1983 todos os direitos reservados



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tua Fuga


É mais uma vez o partir...
Como se essa partida agonizante gritasse
o sufoco que um dia mórbido findasse
nas sombras de uma réstia de sol a sumir.


É uma outra vez o fugir...
do teu medo inseguro para que eu desabasse
o tudo e o quanto foi nosso e abafasse
esse absorto calor evidente no fingir.


Às pressas, para o tempo não soprar o vento
de um amor que em teu peito reluziria
a chama brilhante a te ornar em contento.


Mas pelo silêncio de cada hora permanente,
é que ouço meu desfeixo entocado a noite fria
a sussurrar tua mesma fuga novamente...

Rosy Fonseca/ 1979

Todos direitos autorais reservados


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sou





Vivo a vida e uma vida assim
meio sem graça, meio sem gesto,
quase de leve, de sombra, de canto.
Coisas que escondem-se,
coisas que perdem-se.
Vivo da vida seu pouco carmim.


Balanço de olhos, puro jasmim
é fragrância dos dias, doce condor.
Sou desse jeito, uma ave que voa
seus próprios delírios na esteira do vento,
seus próprios desejos na rua do tempo
que passa tão lento soando um clarim.


E só eu me calo, e só eu em mim
encontro a verdade em meu mundo que dói.
O tudo que sou, o tudo que posso.
O tudo que quero e mais o que peço.
Da minha história, da vida, da glória,
Sou meu vazio ,meu nada, meu fim. 

Rosy Fonseca/1998 (direitos autorais reservados)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Doce Verdade

Ecoa um murmúrio de areia.
Em meus braços a brisa adormece.
E enquanto o tempo me esquece ,
a espuma do mar me penteia.

A chuva desfila ligeira.
Seus pingos ao longe me estimam.
São como cristais que iluminam
meu corpo estendido na esteira.

Eu quero acanhada,
eu quero este mar,
beber seu consolo
que meiga me faz.
Eu viro carinho,
eu viro uma flor.
Trago a certeza
que sou inocência.
Eu rolo perdida,
eu rolo na areia.
Sinto a surpresa
de uma criança.
Eu corro o horizonte,
eu corro a esperança.
E faço a alegria
da história sem fim.

Sem fim como este momento
que me abraça feito acalanto.
Se às vezes derramo meu pranto,
é porque tudo isto eu invento.

Eu durmo a ilusão que suponho.
Meu sonho é alma invadida.
Pois toda a mentira da vida,
é a pura verdade do sonho
Rosy Fonseca/ 1983 ( todos os direitos reservados)


  • segunda-feira, 26 de março de 2012

    Esse Anjo

    Jogar fora os meus pensamentos,
    talvez todos os maus pensamentos.
    Apenas deixá-los, esquecê-los
    tão rapidamente , tão tragicamente .

    Meigas belezas, quem sabe tristezas.
    Distrações, ou mesmo atenções.
    Tanta emoção em melancolia
    que amei sofrendo e intensamente.

    Jogar fora vários momentos meus
    que toquei mas nunca foram teus.
    É parar no tempo, subir e descer,
    cair num abismo ofegantemente.

    Perder os meus sonhos e conquistas,
    os pedaços do ar do teu rosto
    que eu muito vivi a respirar
    e agora me oprime angustiadamente.

    E se eu dançar ao lado de um anjo
    com tudo o quanto quis e perdi.
    E se esse anjo vier a bailar ,
    sei que vou sorrir plenamente.

    E se esse anjo comigo falar
    das tuas palavras que eu não ouvi...
    Mas se esse anjo de mim se afastar,
    eu vou chorar desesperadamente.

    Eu te amei a cada curto instante.
    Eu te amei a cada pouca chance
    de poder ter-te em meus braços,
    de poder ter-te em meu ser.

    E jogar fora os meus pensamentos,
    talvez todos esses momentos,
    só porque tu não me enterneces,
    só porque tu já não me queres.

    São todos os maus pensamentos.
    E se deles surgirem tormentos,
    é porque eu continuo a te amar
    e assim vou morrendo, insistentemente.

    Rosy Fonseca/ 1989 ( todos os direitos reservados)

    terça-feira, 13 de março de 2012

    Perdoa-me

    Perdoa-me se às vezes sem perceber
    magoo-te com barras desequilibradas.
    Se às vezes, posso ferir-te a paz
    que trazes contigo para me alegrares.

    Desculpa-me se um dia sequer eu
    te faça do riso um pranto corrente,
    te encare na dor dos meus desajustes,
    te espelhe meus gritos, meus desencantos vitais.

    Não me leves a mal, eu te peço, pela
    tristeza que sem querer te demonstro.
    Procura e entenda-me. Beija-me a face.
    Só tu podes ouvir meu apelo e atendê-lo.

    Te vejo como apoio de minhas corridas diárias,
    em minhas previsões, vozes e mil paraísos.
    És o embrião ligado ao doce envaidecer
    do meu peito ardente por ti. Perdoa-me.
    Rosy Fonseca/ 1978 ( todos os direitos reservados
    )


    quarta-feira, 7 de março de 2012

    Algum dia

    Algum dia… não tão distante,
    hei de alentar em meu colo macio
    tua face pálida e um pouco sonolenta
    completamente estagnada por beijos.

    A sombra terna de meia luz,
    ao som de uma respiração agitada.
    Sem interrupções nem preocupações.
    Tudo livre, independente, só nosso.

    Do lado de fora, no fundo da noite,
    um frescor ameno com certa ousadia
    há de penetrar por entre o calor
    de uma iniciativa ofegante, estimulante.

    E assim todos os meus sentidos
    hão de intensificaram-se.
    Pois cada pedaço do meu corpo
    irá florescer aos pedaços do teu.

    Com toques, paixão e algo mais.
    Isto há de durar para sempre.
    Basta que aproxime-se a hora,
    algum dia... não tão distante.




    Rosy Fonseca/ 1978 (todos direitos reservados

    domingo, 4 de março de 2012

    Amor Infinito

    Este meu aspecto melodioso
    de um prisma encantado
    instituído pelo suor quente
    começa a me envolver ofegante
    toda vez que em teu peito
    encosto meu rosto gentil

    Demonstro, portanto, às pressas,
    o amor que não cessa,
    não descansa, nunca morre.
    Vai se aglomerando, me possuindo,
    chega até a me sufocar
    de vontade de me entregar, agora.

    Pergunto a mim mesma, por que
    não tenho em meus longos gestos
    um controle absoluto de sentir?
    Já não demoro e me respondo
    que sinto tão profundamente
    este amor me elevando...

    Ele vai além o horizonte,
    me habita e  intensifica.
    É um infinito leito de paixão
    que não me deixa isolada
    nos momentos escuros em que
    a tua ausência me emudece.

    É uma porção de anseios,
    uma fome de oportunidades
    de te mostrar espontânea.
    Esta realidade vivente, contente,
    uma soma de claridades,
    este conjunto de luzes.

    Expor tal grandeza a outro?
    Não. Impossível!
    Sómente na tua sensibilidade
    dorme calma e confiante a minha.
    Apenas em teus modos
    encontro o motivo dos meus.

    Pelo frio, pelo deserto, pelo sol.
    Por tudo, mas principalmente por ti,
    rodo em poesias douradas
    a essência poderosa deste amor.
    E provo firme a eternidade
    que te amo perdidamente.

    Rosy Fonseca/ 1978 (todos diretos reservados)





    terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

    Amor Ausente

    Piedade do meu verso que embora
    seja alma surda de um eco mudo,
    é devaneio qual ponto absurdo
    De uma trégua inconformada que chora.


    Confiante, eu desconfio por hora
    destes teus olhos tementes que cuido.
    Ou se não é as margens de tudo
    que por ti crucifico o que logra.

    A perder-me em teus rastros perdidos
    no infinito pois, deter-me e detidos
    quão teus rumores , por ti esmoreço.

    Padeço a passo de uma amor assim
    que sem nunca ter começo teve fim;
    um fim que se desdobra a vão começo.

    Rosy Fonseca/ 1979 (todos direitos reservados a autora)